domingo, 27 de janeiro de 2013

Ele tem a leveza do vento que passa

Só não consigo esquecer os grandes olhos azuis dele. Nossas conversas enquanto ele empurra a bicicleta São tão livres como o pombo que anda na praça. Aqueles grandes olhos, em cor quase transparente, com tanto pra propor... Ele está sempre atrasado com um sorriso que me faz desculpar quase tudo. Uma troca de camisa pra me ver e eu me apaixono em cada pergunta. Posso sentar no hall, na varanda com ele fica tudo perfeito. Permaneço viajando nas canções que o violão dele haverá de tocar E nas dedicatórias que aquele sorriso terá de compor no microfone. Viajo com todos os aviões pelo céu... Pensando nos cafés da manhã que tomaremos juntos Navego do País das Maravilhas até Pasárgada Imaginando o branco vestido, do dia da caminhada até o terno beijo Eu pulo nos límpidos olhos do mais alto trampolim Toda vez que minhas pálpebras se debruçam E assim posso sonhar só com ele A timidez dele me invade, me confunde... Meu coração me assusta Toda vez que o mar parece ser menor E menos azul que aqueles grandes e cristalinos olhos. Débora Corn

domingo, 25 de novembro de 2012

Não quer consumo, quer verdade

Que apatia é o consumismo Ângelus! Eu como sonhador Acredito em sei lá o que. A chuva lavou os carros Parados no congestionamento Triste céu sem cor de domingo O amor não se limita Em perfume, bolsas Ou o que quer que seja Qualquer mercadoria que se compre Numa data comercial Minha alma não almeja Consumo quer cultura Sentir, respirar a música Presenciar a doçura de um Baleiro! Escutar um Eco de Umberto Num filme do Burton, rir. Sentir o calor das mãos Apaixonadas... Ângelus! Meu coração não quer Consumo almeja verdade.

segunda-feira, 27 de agosto de 2012

Café na quitanda, Quintana Um milagre aqui outro mais pra lá. Ir à quitanda “quitandar” Cada lágrima Outra palavra Mais lamentos Monto outra toada. Quintana! Ir lá poetizar Café na quitanda, Quintana. Um cigarro pra pensar. Laranja, eu comprarei na quitanda. De Quintana, outra poesia Que poetiza meus olhos “Quitandarei” com as frutas da estação “Quintaneando” um verso pra lá e ali Um milagre pra empalhar. Débora Corn

terça-feira, 7 de agosto de 2012

Sem perigo no mundo

Sem perigo no mundo Se não houvesse perigo no mundo Eu olharia nos escuros olhos azuis do céu E pularia do avião no seu deserto Eu iria querer só o perigo de me emocionar Com uma audaciosa peça de teatro. O perigo de olhar além do vidro do carro E construir fantasias escutando música. Só gostaria de me preocupar com as Balas doces do seu bolso. O perigo de me apaixonar por alguém Que não se parece tanto comigo. O perigo de gostar tanto desse mundo E assim imaginá-lo sem perigos... Débora Corn

Amendoim é uma coisa tão boa que nos faz (me faz) pelo menos ver a vida mais azul.