Na verdade não sei nem o que escrever
Às vezes o coração borbulha demais
Respirar e correr e cantar... E manter o ritmo
Mas ainda consigo rir da fragilidade do todo
Meus olhos não vêem...
Eles querem olhar algo?
Decepção raiva quieta
Pulando azeda se contorce
Bobeando
Isso
Cresce
Gente
Não entendo tanta falta de tudo
Sensibilidade quem tem?
O peito inflama
Não derrama nada
Mesmo assim retoma uma
C-a-n-t-i-g-a
De manhã
Gosta de pequeninas fofuras
Não se perturba.
Dedos nas teclas
Escrever o que?
Isso serve pra algo?
A foto é tão azul
E as nuvens são tão cinzas
E são tantas pessoas que levam uma vidinha besta
Embrulhada para presente
São hienas que choram, falam e repetem coisas
Pobres criaturas
Dá pena
Oh
Oh
Oh
Ai da minha pessoinha!
Dizem caindo por aí...
Não sabem o valor de nada
Acelerem seu relato
Não tenho o dia todo
Tenho canções
Para
C-a-n-t-a-r
Le Le le
La La La
Xiqui xiqui
Balança
A folha
No pinheiro
La La La
Le Le Le
Xaqui xaqui
Balança
A folha
No limoeiro
Isso não é poesia
Débora Corn
Débora Corn é autora dos livros: Joni Depi me chamou pra ir ao samba e Pinturas para Claude - Editora Corpos de Portugal.
sábado, 12 de novembro de 2011
quarta-feira, 26 de outubro de 2011
Poemar, pomar, amour, poema é tema?
Poemóvel, poemístico, poemar, poesol, poema. Poesando, poecantando, Poe. Vai viver um bocado de vida. O cansar das escolhas... Vai cantar um verso... Poecasa, poecarro, poeoquê? Vou entender nada, vou dar uma patinada e talvez ficar com preguiça, enguiça... Poefarol, poepiada, poefurada, poeira. Não queira fazer diferente. A gente tá indo tão certo. Poeamar! Poeviver! Poepular! Poecantar! Poesorrir! Poeencantar! As perguntas sem sentido vão cansando nossos olhos... Poecantorias, poebonitodia, poeandar... C'est la vie? C'est la vie! I don't know, Mon Dieu, muchacho, guri, pensante, poepensando toda hora... Vamos embora com o piano nas costas, poerecitando, poeindo, poeindo, poeindo...
segunda-feira, 12 de setembro de 2011
O que você vê em meus olhos?

Outra sexta sem cores no céu
Devagar as folhas dançam com o toque do vento.
Porque você não confia em mim, meu amor?
E muda meu dia, minha semana, meu mês
E minha vida até quando for bom...
Dançaremos com as folhas
Mesmo sem guaches azuis perto dos aviões
Cantaremos com os pássaros!
Felizes na chuva ou no sol!
Eu vou pra qualquer lugar
Só pra ter um beijo seu.
Vejo tantos enigmas em seus olhos...
E não sei em que acreditar
Que estrada eu devo percorrer...
O que você vê em meus olhos?
Se disfarço, digo tudo...
Beijo seus lábios, com todos os vocábulos.
Fugir eu quis.
Mas é só ver você na janela
Que saio correndo pela rua
E como numa comédia romântica
Passo brilho nos lábios
E subo as escadas vagarosamente
E como se fosse acaso
Me dou pra seu sorriso
Deixo que você me leve pra onde queira...
E nos dias que não há existência
Do seu encantado humor que me enfeitiça
Existe uma ardência aqui dentro.
Os olhos perdidos se mascaram de alegria
Nas noites sem seus elogios.
Paixão sem dialeto certo
Acredita em meus acertos
Seja meu se puder!
Se não puder, seja meu!
O que você vê em meus olhos?
Débora Corn
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andando de bicicleta e escrevendo poesia,
poesia de 2009
sábado, 20 de agosto de 2011
Walk Away number 6
Não pude acreditar em que o homem de óculos azuis quase pretos me disse dentro da Maria Fumaça ontem lá pelas oito atravessando o bairro central. O homem meu noivo contou-me que seu cavalo de pernas mais longas não estaria a minha disposição quando meus olhos não quisessem mais encarar as pessoas saídas do imaginário flutuante de sua intrigante cabeça.
Homens são uma esquisitice quando querem. Falam coisas.
Meu vestido vermelho, novo de coleção cara, amassado por causa dos bancos tortos da Maria Fumaça, furou bem na barrinha num prego da poltrona. Nem por isso aquilo que meu noivo me dissera me magoou menos. O que me incomodou não foi a circunstância, mas sim a maneira que ele me alertou sobre o cavalo. Sem nenhum cuidado com meu frágil jeito foi dizendo sem consideração nenhuma com meus olhos, que ele, meu noivo não estaria disposto a buscar o cavalo em minha casa na manhã seguinte. Com tanta reclamação sobre minha chácara ser deslocada, próxima ao retorno das Fileiras, me deu um ódio que queima devagar o corpo, um ódio que dói um pouco os olhos, por quererem chorar. Meu noivo sem tato e audição, foi dizendo tudo sem pensar, ele que não me venha contar as baboseiras sobre seu tio que fuma três cigarros pela manhã, dois após o almoço e antes das sete somente um. Essas bestas cantigas velhas.
Hoje acordei com peso nos olhos feridos. Tinha reuniões com os maridos das mulheres do crochê e cheguei à casa de Verônica com os pés doendo e já tinha atrasado duas horas e dez minutos.
Almocei com Verônica a comida que meu noivo mais gosta. Não liguei para ele, aquele bastardo idiota. Deixei Verônica e fui à aula de violão em casa de Carlos.
Meu noivo que tem uma bochecha lisa e vermelha não havia me ligado até quando cheguei à casa do Cascão para as combinações sobre o piquenique em Vila Nova.
O Bastardo me ligou após a vinda de Ana Luzia à minha chácara. Ao aparelho me falou besteiras em chinês, alemão e russo.
Não falei muito, a mágoa ainda na garganta e o bastardo repetindo coisas. Ele não quis contar as notícias de Sapetão o bairro vizinho, onde ele tinha passado à tarde. Meu noivo tem umas manias que me enlouquecem. Essa de não contar quando eu pergunto interessada sobre os bairros próximos é uma.
Ele saiu de Sapetão as três para as nove. Sei exatamente a hora porque o bastardo enviou-me uma mensagem.
As estradas para o Centro novo não são as melhores. Chovia muito quando meu noivo saiu. Ele dirige mal quando garoa, imagine quando chove forte. Meu noivo perdeu o controle do veículo na estrada dos Farofeiros e caiu na ribanceira quatro nove da virada leste. O bastardo morreu com os sapatos novos de veludo polido.
Walk Away number 6
Débora Corn
segunda-feira, 15 de agosto de 2011
Minha Namorada
Meu poeta eu hoje estou contente
Todo mundo de repente ficou lindo
Ficou lindo de morrer
Eu hoje estou me rindo
Nem eu mesma sei de que
Porque eu recebi
Uma cartinhazinha de você
Se você quer ser minha namorada
Ai que linda namorada
Você poderia ser
Se quiser ser somente minha
Exatamente essa coisinha
Essa coisa toda minha
Que ninguém mais pode ter
Você tem que me fazer
Um juramento
De só ter um pensamento
Ser só minha até morrer
E também de não perder esse jeitinho
De falar devagarinho
Essas histórias de você
E de repente me fazer muito carinho
E chorar bem de mansinho
Sem ninguém saber porque
E se mais do que minha namorada
Você quer ser minha amada
Minha amada, mas amada pra valer
Aquela amada pelo amor predestinada
Sem a qual a vida é nada
Sem a qual se quer morrer
Você tem que vir comigo
Em meu caminho
E talvez o meu caminho
Seja triste pra você
Os seus olhos tem que ser só dos meus olhos
E os seus braços o meu ninho
No silêncio de depois
E você tem de ser a estrela derradeira
Minha amiga e companheira
No infinito de nós dois
Minha Namorada
Vinicius de Moraes / Carlos Lyra
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I’ll reckon every word - Sweet words
segunda-feira, 25 de julho de 2011
El breve amor (Queria mais tempo para amar seus olhos)
(¿Por qué, después,
lo que queda de mí
es sólo un anegarse entre las cenizas
sin un adiós, sin nada más que el gesto
de liberar las manos ?)
El breve amor
(Julio Cortazar)
Talvez pensar nele seja somente
Um desejo perdido no espaço...
Às três da manhã um dos pedidos mais lindos!
El breve amor...
Queria mais tempo para amar seus olhos
Infinitas tardes para que os lábios se umedeçam de café
Horas a mais eu queria para encontrar beleza no cinéreo céu
El breve amor, El breve amor
Leva-me até o fim dessa rua com suas mãos claras de confiabilidade
Minutos a mais para ouvir canções, debruçada no seu ombro queria eu
El breve amor...
Desde que seus olhos entraram no meu dia
Os meus atentos olhares insistem em brilhar aquém
Nessas geladas noites cheias de estrelas sem seus versos
El breve amor, El breve amor
Todo tempo para brincarmos com as declarações amorosas
Dos nossos amigos, eu queria
Para ser seu sorriso na noite embalada
Com toda sua elegância de inverno
Com todo seu cheiro de verão
El breve amor, El breve amor
Caí delicadamente desde o primeiro beijo
Na pele macia que deita nas suas bochechas
Sua alegria, alegria sua...
Alegria minha, minha alegria nos teus olhos estão
El breve amor
El breve amor
Breve
Que esse amor seja hoje
Seja amanhã
Seja
El breve amor (Queria mais tempo para amar seus olhos)
Débora Corn
segunda-feira, 4 de julho de 2011
4 de Julho
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