domingo, 27 de junho de 2010

la vie la vie 3




A saudade é minha dor que anda arrasando com meu coração. (São Gonça, Seu Jorge)

Você já reparou que a gente vive com saudade?

Saudade da viagem de verão, saudade daquele amor de primavera, saudade de tomar café com os amigos nas tardes de ócio, saudade dos céus febris da semana passada, saudade da cidade dos sonhos... Saudade essa saudade! Que ela seja boa simplesmente sensível...

la vie la vie 2

la vie la vie

quinta-feira, 24 de junho de 2010

Mesclado com uma canalhice adocicada

Amável você sabe ser, mesclado
Com uma canalhice adocicada.
Me elogia com nomes mundanos
E numa religiosidade me chama:
Querida.

Me derreto com sua ginga
Mandinga que você fez
Pra eu me cativar em tudo
Que existe seu nome.

Me vê com olhos carnívoros
Mas me abraça com devoto sentimento.
Já não me importo de me confundir
Peço seus pensamentos maquiavélicos
Desejo seus cativos toques santificados.

Adoro o jeito como você come
Devoro seu peito em doces pedaços.
Reflexo de menino em seu rosto
Mãos de homem na madrugada

Você atiça minhas vontades
Dentro do meu corpo você venta
Maré cheia, eu quero ventania
Quero o último morango, o último gole.

Meu malvado amabilíssimo
Senhor das palavras que me param
Delírio que me beija brandamente
Romantismo não curado
Luxúria que se pede.



Mesclado com uma canalhice adocicada
Débora Corn

terça-feira, 22 de junho de 2010

Café na quitanda, Quintana



Um milagre aqui outro mais pra lá.
Ir à quitanda “quitandar”
Cada lágrima
Outra palavra
Mais lamentos
Monto outra toada.

Quintana!
Ir lá poetizar
Café na quitanda, Quintana.
Um cigarro pra pensar.

Laranja, eu comprarei na quitanda.
De Quintana, outra poesia
Que poetiza meus olhos

“Quitandarei” com as frutas da estação
“Quintaneando” um verso pra lá e ali
Um milagre pra empalhar.


Débora Corn
Café na quitanda, Quintana

domingo, 20 de junho de 2010

Talvez você dance




Vê se você se toca
Se você não ta na festa
Não tem graça
Quando vejo pelo espelho
Que você chegou na academia
Me exibo com minhas malhas

Se toca
Você disse que não poderia
Tocar a canção pra mim
Então talvez você dance

Exibo as pernas com aquele vestido
Quantos engraçadinhos na festa
E você não se toca
Que o balanço dos quadris diz algo
Minha boca tem cor de batom
Meus olhos pintados gritam


Talvez você dance
Débora Corn

Salve!





Salve o compositor
Que compõe para os olhos.
Salve a sensibilidade
Do poeta da esquina.
O Zé de cada janela salve!
Salve o ator de teatro.
Salve o colecionador
De raras orquídeas.

Balançar no seu balanço
Balanço de criança
Me embala pra cima
Pra perto das nuvens.

Honras ao homem
Que se deixa amar.
Honras ao carnaval de rua.
As areias dos lençóis
Maranhenses, honras!
Honras ao cancioneiro
De frases cortantes.
Honras a sua boca
De palavras doces.


Salve!
Débora Corn