Mostrando postagens com marcador poesia de 2008. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador poesia de 2008. Mostrar todas as postagens

segunda-feira, 18 de abril de 2011

Quero sabe quem foi?



Desfilo na minha avenida
Ninguém tem nada com minha vida.
Quem sugeriu que homem não chora?
O poeta, cheio de lágrimas, me devora.
Sou do frevo, sou do bumba-meu-boi.
Tô aqui e quero sabe quem foi?

O fato é que nunca estamos risonhos com o que temos
O amor que nos escolhe nunca é o que elegemos

Sua credencial está vencida
Não tenho nada com sua vida.
Seu terno não é de marca?
Seu colar, seu relógio não são de ouro?
Já tem gente na minha barraca.
Cada um faz o que quiser com seu próprio choro


Quero sabe quem foi?
Débora Corn

sexta-feira, 25 de março de 2011

Num papel de pão de açúcar




O que diz seu coração?
Você disse que a resposta
Demoraria, mas assim...

Ah, meu amor, me reservo
Das conversas, pra que os outros
Não percebam que todas minhas
Canções são pra você.

Ventania no estômago
Furacão nos olhos
Suspiros no jardim...

Escreva num papel de pão de açúcar
A sua resposta, seu último conto.

Quando enfim chegar
Só terei que passar
Em todas as igrejas de Salvador.

Ah, romântico dia!
Ele está demorando tanto, que tenho
Que rezar... Ler sobre milagres
Escrever sobre saudade.


Num papel de pão de açúcar
Débora Corn

domingo, 5 de dezembro de 2010

Basta sentir





Palavras são tantas
E tantos momentos
Que só basta sentir

Descobrir um velho poeta
Beber a primeira chuva de janeiro
De novo amar o novo
Me emocionar toda vez que lhe vejo
Desejo que se renova a cada noite.

A minha voz que se vai pelo ralo
Toda vez que me pergunta algo.
Sem música dançar contigo na livraria
Derrubar todos os livros
Pois, nesse aconchego, não há
Palavra que baste.


Basta sentir
Débora Corn

quinta-feira, 4 de novembro de 2010

Olhos marejados




Se eu soubesse quantas
Estrelas têm no céu
Eu ligaria só pra lhe contar.
Se a tristeza se afastasse
Por bastante tempo
Eu abriria os olhos e você
Estaria na sacada.

Estrela-cadente
Seja competente

Que minha lágrima seque antes da lua ir-se.
As lembranças dele estão em todas as caixas.
O galo já canta e com ares tristes quero
Continuar olhando as estrelas.

Se eu possuir toda riqueza
Mas não tiver seu amor
Isso é quase nada

Mas se eu pudesse te dar
As incontáveis estrelas
Seria quase tudo

Eu quero sempre voltar
Pra seus braços, pra seus beijos.
Meus olhos marejados
Querem ver-te em minha casa.
Como é bonito seu lirismo
É pra você meu terno suspiro.

Sem você por perto
Os olhos vivem pra lamentar.
Não adianta
É pra seus braços, pra seus beijos
Que eu sempre quero voltar
Você está no meu sangue
Não adianta


Olhos marejados
Débora Corn

sexta-feira, 17 de setembro de 2010

Tempestades feitas na xícara de café

Tarde acordei...
Queria dormir o resto da semana.
Só assim choraria menos.
Falar porque? Falar de que?
Preciso estar só, um momento...

Tempestades feitas na xícara de café!
Chá não acalma minha dor
Meu peito dilacerado.

Ano novo, que balela!
A alegria vai surgir a meia-noite e um?

A poesia sim, é alegria ao
Meu querido coração
Palavras que quero ouvir

Pessoa que quero ver
Tristeza que necessito que vá
Devaneio que peço que chegue.


Tempestades feitas na xícara de café
Débora Corn

domingo, 29 de agosto de 2010

Amor de compositor



Eu quero um amor de poeta
Um amor de compositor
Não tenho nenhuma meta
Só quero dele o amor.
A acidez do limão de todo dia
Com ele doce morango pareceria.
Um amor de linhas quase perfeitas
De receitas ás vezes refeitas
De bolo de chocolate
Glacê, laranja e chá-mate
Amor de música para a amada
De sonetos para a apaixonada

Diga que me ama
Seja meu poeta.
Seu coração explode!
Arremesse rosas na minha janela.
Meu paladar degusta em versos
A nova composição.

Por dia um blues e um poema
Na Barra, Bombinhas ou Ipanema.
Uma canção na cidade de Natal
Deixa meu peito num repente
Num batuque, num carnaval.
Em sonho beijo-o serenamente.
Meu compositor responda meus apelos
Mande as cartas, coloque os selos.
Chegar ao coração do poeta
Essa irremediavelmente é a meta.
Suspirar pelo lirismo do poeta é fato
De admiração, amor e vida, o mato.

Amor de compositor
Débora Corn

Até amanhã não pensarei em você





Não pensarei em você, até amanhã.
Te mando e-mail você não responde
Te dou meu celular você nem liga.
Não quero mais sua pele
Guarde seus sorrisos.

Encho-me de trabalho
Saio depois do horário.
Mas hora ou outra o pensamento
Foge até sua pessoa
Hoje não quero saber se você está
No Maranhão ou Lisboa.
Pior, é que você nem sabe
Que sinto saudade.
Escuto Pixinguinha
Que sina minha.
De te amar mais que preciso.
Mando-te o último aviso:
No meu acervo de livros você
Já não é minha leitura favorita.
Seus olhos nunca brilharam tanto
Como ontem na bodeguita.
Os meus já não são mais pranto.
É... Você continua um encanto.
Te tomei, te bebi...
E até amanhã,
Finjo que te esqueci.


Até amanhã não pensarei em você
Débora Corn

domingo, 15 de agosto de 2010

Na sua língua, uma poesia






Recebi as pétalas de rosas.
Na sua língua uma poesia.
Cuide bem da minha
Roseira e da laranjeira.
Sua língua lírica
Me embala nessa noite.
Nesse interminável
Inverno curitibano.


Na sua língua, uma poesia
Débora Corn

domingo, 8 de agosto de 2010

Vou torcer





Ficar pra sempre
É muito tempo.
Mas posso ficar
Até amanhã de manhã.

Vou torcer a camisa
Vou torcer pra que
Amanhã seja sempre hoje
E que a lua nunca feche os olhos.

Vou torcer
Débora Corn

domingo, 1 de agosto de 2010

Nos braços do poeta




Me lanço nos braços do poeta.
Com suas mãos sinceras
Sua boca lúdica
Seu peito inflamado de paz
Seu olhar que mesmo sem dizer nada, diz.
É melódica a sua alma.
Meu amor, minha paz, meu poeta.
Gela meu coração quando me olha.
Posso chorar de madrugada
Somente por lembrar sua voz.
Sua risada escondida toda vez
Que abro a porta.


Nos braços do poeta
Débora Corn

quinta-feira, 8 de julho de 2010

Chega mais perto

Talvez depois dessa música
Rode, gire uma ode que louve
Meu sentimento tão sincero.
Respiro por amor novamente
Os dias estão normais...
As estrelas da serra do mar
Estão acesas, as observo do carro.

Peço que seus olhos caiam sobre mim.
Que no calor nossa mão não se solte.
Quero secar seu rosto na madrugada.
Beber no seu copo, te tomar com vodca.
Acalmar seu desespero noturno.

Chega mais perto meu bem
Chega de estar longe
Chega aqui em casa.

Chega mais perto
Débora Corn

domingo, 4 de julho de 2010

Dreams

Amar-te não sei se devo
Mas se amar fosse dever
Eu deveria o mundo.
Só sei que já o amo.
Está nos meus sonhos
E quando abro os olhos
É em ti que penso.
Na montanha subo
Fico silente por dias...
Mas, é em ti que penso.
Viajo na madrugada
Coberta de estrelas
E meu peito tão sozinho
Se queixa, mas vive
Por já te amar.

Dreams
Débora Corn

terça-feira, 22 de junho de 2010

Café na quitanda, Quintana



Um milagre aqui outro mais pra lá.
Ir à quitanda “quitandar”
Cada lágrima
Outra palavra
Mais lamentos
Monto outra toada.

Quintana!
Ir lá poetizar
Café na quitanda, Quintana.
Um cigarro pra pensar.

Laranja, eu comprarei na quitanda.
De Quintana, outra poesia
Que poetiza meus olhos

“Quitandarei” com as frutas da estação
“Quintaneando” um verso pra lá e ali
Um milagre pra empalhar.


Débora Corn
Café na quitanda, Quintana

domingo, 20 de junho de 2010

Talvez você dance




Vê se você se toca
Se você não ta na festa
Não tem graça
Quando vejo pelo espelho
Que você chegou na academia
Me exibo com minhas malhas

Se toca
Você disse que não poderia
Tocar a canção pra mim
Então talvez você dance

Exibo as pernas com aquele vestido
Quantos engraçadinhos na festa
E você não se toca
Que o balanço dos quadris diz algo
Minha boca tem cor de batom
Meus olhos pintados gritam


Talvez você dance
Débora Corn

domingo, 6 de junho de 2010

Não tenho fim nem começo



Não sei mais quem sou sem ele.
Penso em não pensar e já penso.
Ontem era eu, hoje sigo sem saber.
Ninguém pra me ouvir.
Identidade ao vento...
Quem eu fui?
Fogo no meu coração.
Chama nos meus olhos.
Chamo por ele...
Me afogo no ar
No mar não respiro.
Sou quem agora?
Quem eu serei amanhã?
De repente as cartas
Pararam de chegar...
Vou saltar quando?
Rodo com meu carro
Noites e noites.
Choro sem querer lembrar
E recordo...
Nada sei de mim
Sem ele não me conheço
Não me obedeço
Não me reconheço
Não tenho fim nem começo.
Já não conheço perigo.


Não tenho fim nem começo
Débora Corn

quinta-feira, 3 de junho de 2010

Me rendo







Não aguento mais
Com a pena na mão
Me rendo
À sua poesia de brincante
Ao dia de verão
À sua cor morenada

Me rendo
Às flores deixadas no portão
Aos brancos pombos da tua paz

Rendo-me
Ao seu fino terno de linho
Ao seu doce caldo de vida

Me rendo
Agora
Amanhã
E depois
À sua frutífera laranjeira
À sua visita passageira
A seu tchau com certeza de volta
A seu beijo possível

Rendo-me
À lua do dia
Ao sol da noite
Às estrelas vespertinas
Aos cometas do ano que vem
Aos fogos de Copacabana.

Renda-se amado
À renda do meu vestido
À renda per capita do país
Ao rendado de dias
À sua rendeira de sonhos.

Ah, eu me rendo
Ao seu aguaceiro de ciúme
Ao seu aguado de palavras
À água-de-colônia do seu pescoço.


Me rendo
Débora Corn

domingo, 16 de maio de 2010

Taças



Cachaça não se bebe
Em taça de champanhe.
Sapo não é príncipe.
Vida não é clube.
Cabeça é uma louca coisa!
Dorme-se quando pode.
Vou trocar o letreiro da porta
De “tristeza” para “O que importa”?
I’m confused.
Quero me jogar no mundo
Correr na chuva.
Sem seus ingênuos palpites.
Trocar o disco...
Deixe-me sozinha.
Mas, uma última coisa
Parabéns!
I’m confused.
Estou triste, obrigada.


Taças
Débora Corn

segunda-feira, 10 de maio de 2010

Desvío





¿Qué te pasa mi vida?
Não tenho nada pra fazer
Todos acham que não tenho tempo.
Tenho muito que dizer
Acham que são palavras ao vento.
Que irritante a alienação
Concordam sem oposição.
Zeus me dê um carro!
Vou fumar o meu cigarro
E esperar um pouco mais.
Num condomínio de luxo
Encontra-se a paz?
É o que dizem especialistas.
As pesquisas revelam
O ranking da inteligência
Infelizmente está na moda
Ver e ler o que nada acrescenta
Rir do que todos riem
Ler revistas de fofoca
Saber da vida de quem
Oportuna novamente.

¿Qué te pasa mi vida?
Que não leu no jornal sobre
Moda francesa
Não é chique colocar os braços
Sobre a mesa.
Quero whisky sem gelo
Devo alisar o meu cabelo?

¿Qué te pasa mi amor?
Pero que debo mirar te
Preguntar sobre lo tiempo.
Se me falar de novo que
Bossa é música de velho
Que samba não é bom negócio...
Vai... Pegue amanhã seu avião
Com o sorriso da alienação.


Desvío
Débora Corn

domingo, 2 de maio de 2010

Vem pra Olinda, meu lindo



Acho que aqui a gente pode
Sentir felicidade, pelo menos parece
Meu coração não me obedece

Vem pra Olinda, meu lindo
Vem viver comigo
Tá consumado, eu tô consumida
Eu obedeço meu coração
Não tem mais regra

Meu lindo, pega o primeiro
Trem pra Olinda, na vinda
Repara nas macieiras...

Estarei na estação com tamborins
Maracás e impaciência
Meu coração é só desobediência

Ele manda em mim, não tem jeito
Esse danado não ordena só meu peito
Mexe com minha vida toda, eu toda sua.

Vem pra Olinda, meu lindo
Débora Corn

Falsas glórias ao fulano!






Desculpe se sou uma arrogante sentimental
Se eu volto pra pedir desculpas...
Numa humildade falsa
Finge concordar com meus pensamentos.
Não consegue sair do vício do fracasso
E quer que meus dedos dedilhem sua cabeça
Atirando boca a fora: Falsas glórias ao fulano!

Por não conseguir fingir, me perdoe.
Sou só uma sentimental por acidente.
Prefiro me abater e sair pela chuva a fora
Do que aplaudir seus enganos tão concretos.
Abstratos risos do passado!
Triste hora essa sua, seu indivíduo!
Não queira voar com esse balão cheio de mágoas.

Me absolva se sou tão irreal
Me perdoe por não me contentar em só ver o céu
Eu quero abraçar as nuvens, desculpe-me.
Estou tão comovida com seu jeito de defender as velhas mentiras
De acariciar falsos sorrisos, de receber feliz, cumprimentos tão alucinantes
E achar que é o protagonista do espetáculo que só existe na sua cabeça.
Mas, não ligue, pra nada disso, fulaninho! Sou só uma sentimental arrogante.


Falsas glórias ao fulano!
(Sou só uma sentimental arrogante)
Débora Corn