“A única coisa que pode ajudar-nos é o sentido do presente. Sentir que o momento presente está cercado de modo especialmente intenso e que as condições são favoráveis ao sphota, essse ‘ relâmpago’ que surge no momento do som certo, do gesto certo, do olhar certo, da troca certa.” (p. 63)
retirada do livro O diabo e o aborrecimento.
«A imaginação é um músculo».
«Para que alguma coisa relevante ocorra, é preciso criar um espaço vazio. O espaço vazio permite que surja um fenómeno novo, porque tudo que diz respeito a conteúdo, significado, expressão, linguagem e música só pode existir se a experiência for nova e original. Mas nenhuma experiência nova e original é possível se não houver um espaço puro, virgem, pronto para recebê-la».
Débora Corn é autora dos livros: Joni Depi me chamou pra ir ao samba e Pinturas para Claude - Editora Corpos de Portugal.
segunda-feira, 12 de dezembro de 2011
sexta-feira, 25 de novembro de 2011
Bossa não faz mal a ninguém
Dias de sol curitibanos, eles me lembram o mar, o Rio, os dias azuis remetem a lugares de beleza, águas que molham os pés... E bossa nova combina tão bem com esses dias.
You're so good to me
and your love's the inspiration that I need
Writing songs for you
Is the way I find to thank you for this
Face the music
Dance to the music
now I hear the sound of music
and your kisses take it closer to perfection
You're beyond imagination
We're the dream team
you're so good to me
You're so good to me
and I hope to give you back the peace of mind
that you give to me
and it feels like Bossa Nova by Jobim
The solution to my dilemma
you're my girl from Ipanema
inspiration for my samba in slow motion
you're the top you're my devotion
my slow motion Bossa Nova dream
Slow Motion Bossa Nova
Celso Fonseca
sábado, 19 de novembro de 2011
Cafés de Sabadões

E a vida vai indo... (E a vida o que é meu irmão?)(Gonzaguinha).
É uma entrevista assistida que interessou os olhos, é um comentário sobre atores pela manhã, são as peças feitas, são as coisas escritas, são as coisas que acreditamos, são os momentos de glória, são as pessoas que amamos... São as palavras que às vezes são só olhares. É tanta coisa, e ainda tem gente que enche o saco com seus pequenos feitos, ah, vá! O que faremos? Ah, vamos rir bem alto e tirá-las de cena, na verdade, essas pessoas se anulam sozinhas. (Oh, le, lê, oh, la, lá).
E a vida!
E a vida o que é?
Diga lá, meu irmão
O Que É, O Que É?
Gonzaguinha
sábado, 12 de novembro de 2011
Isso não é poesia
Na verdade não sei nem o que escrever
Às vezes o coração borbulha demais
Respirar e correr e cantar... E manter o ritmo
Mas ainda consigo rir da fragilidade do todo
Meus olhos não vêem...
Eles querem olhar algo?
Decepção raiva quieta
Pulando azeda se contorce
Bobeando
Isso
Cresce
Gente
Não entendo tanta falta de tudo
Sensibilidade quem tem?
O peito inflama
Não derrama nada
Mesmo assim retoma uma
C-a-n-t-i-g-a
De manhã
Gosta de pequeninas fofuras
Não se perturba.
Dedos nas teclas
Escrever o que?
Isso serve pra algo?
A foto é tão azul
E as nuvens são tão cinzas
E são tantas pessoas que levam uma vidinha besta
Embrulhada para presente
São hienas que choram, falam e repetem coisas
Pobres criaturas
Dá pena
Oh
Oh
Oh
Ai da minha pessoinha!
Dizem caindo por aí...
Não sabem o valor de nada
Acelerem seu relato
Não tenho o dia todo
Tenho canções
Para
C-a-n-t-a-r
Le Le le
La La La
Xiqui xiqui
Balança
A folha
No pinheiro
La La La
Le Le Le
Xaqui xaqui
Balança
A folha
No limoeiro
Isso não é poesia
Débora Corn
Às vezes o coração borbulha demais
Respirar e correr e cantar... E manter o ritmo
Mas ainda consigo rir da fragilidade do todo
Meus olhos não vêem...
Eles querem olhar algo?
Decepção raiva quieta
Pulando azeda se contorce
Bobeando
Isso
Cresce
Gente
Não entendo tanta falta de tudo
Sensibilidade quem tem?
O peito inflama
Não derrama nada
Mesmo assim retoma uma
C-a-n-t-i-g-a
De manhã
Gosta de pequeninas fofuras
Não se perturba.
Dedos nas teclas
Escrever o que?
Isso serve pra algo?
A foto é tão azul
E as nuvens são tão cinzas
E são tantas pessoas que levam uma vidinha besta
Embrulhada para presente
São hienas que choram, falam e repetem coisas
Pobres criaturas
Dá pena
Oh
Oh
Oh
Ai da minha pessoinha!
Dizem caindo por aí...
Não sabem o valor de nada
Acelerem seu relato
Não tenho o dia todo
Tenho canções
Para
C-a-n-t-a-r
Le Le le
La La La
Xiqui xiqui
Balança
A folha
No pinheiro
La La La
Le Le Le
Xaqui xaqui
Balança
A folha
No limoeiro
Isso não é poesia
Débora Corn
quarta-feira, 26 de outubro de 2011
Poemar, pomar, amour, poema é tema?
Poemóvel, poemístico, poemar, poesol, poema. Poesando, poecantando, Poe. Vai viver um bocado de vida. O cansar das escolhas... Vai cantar um verso... Poecasa, poecarro, poeoquê? Vou entender nada, vou dar uma patinada e talvez ficar com preguiça, enguiça... Poefarol, poepiada, poefurada, poeira. Não queira fazer diferente. A gente tá indo tão certo. Poeamar! Poeviver! Poepular! Poecantar! Poesorrir! Poeencantar! As perguntas sem sentido vão cansando nossos olhos... Poecantorias, poebonitodia, poeandar... C'est la vie? C'est la vie! I don't know, Mon Dieu, muchacho, guri, pensante, poepensando toda hora... Vamos embora com o piano nas costas, poerecitando, poeindo, poeindo, poeindo...
segunda-feira, 12 de setembro de 2011
O que você vê em meus olhos?

Outra sexta sem cores no céu
Devagar as folhas dançam com o toque do vento.
Porque você não confia em mim, meu amor?
E muda meu dia, minha semana, meu mês
E minha vida até quando for bom...
Dançaremos com as folhas
Mesmo sem guaches azuis perto dos aviões
Cantaremos com os pássaros!
Felizes na chuva ou no sol!
Eu vou pra qualquer lugar
Só pra ter um beijo seu.
Vejo tantos enigmas em seus olhos...
E não sei em que acreditar
Que estrada eu devo percorrer...
O que você vê em meus olhos?
Se disfarço, digo tudo...
Beijo seus lábios, com todos os vocábulos.
Fugir eu quis.
Mas é só ver você na janela
Que saio correndo pela rua
E como numa comédia romântica
Passo brilho nos lábios
E subo as escadas vagarosamente
E como se fosse acaso
Me dou pra seu sorriso
Deixo que você me leve pra onde queira...
E nos dias que não há existência
Do seu encantado humor que me enfeitiça
Existe uma ardência aqui dentro.
Os olhos perdidos se mascaram de alegria
Nas noites sem seus elogios.
Paixão sem dialeto certo
Acredita em meus acertos
Seja meu se puder!
Se não puder, seja meu!
O que você vê em meus olhos?
Débora Corn
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poesia de 2009
sábado, 20 de agosto de 2011
Walk Away number 6
Não pude acreditar em que o homem de óculos azuis quase pretos me disse dentro da Maria Fumaça ontem lá pelas oito atravessando o bairro central. O homem meu noivo contou-me que seu cavalo de pernas mais longas não estaria a minha disposição quando meus olhos não quisessem mais encarar as pessoas saídas do imaginário flutuante de sua intrigante cabeça.
Homens são uma esquisitice quando querem. Falam coisas.
Meu vestido vermelho, novo de coleção cara, amassado por causa dos bancos tortos da Maria Fumaça, furou bem na barrinha num prego da poltrona. Nem por isso aquilo que meu noivo me dissera me magoou menos. O que me incomodou não foi a circunstância, mas sim a maneira que ele me alertou sobre o cavalo. Sem nenhum cuidado com meu frágil jeito foi dizendo sem consideração nenhuma com meus olhos, que ele, meu noivo não estaria disposto a buscar o cavalo em minha casa na manhã seguinte. Com tanta reclamação sobre minha chácara ser deslocada, próxima ao retorno das Fileiras, me deu um ódio que queima devagar o corpo, um ódio que dói um pouco os olhos, por quererem chorar. Meu noivo sem tato e audição, foi dizendo tudo sem pensar, ele que não me venha contar as baboseiras sobre seu tio que fuma três cigarros pela manhã, dois após o almoço e antes das sete somente um. Essas bestas cantigas velhas.
Hoje acordei com peso nos olhos feridos. Tinha reuniões com os maridos das mulheres do crochê e cheguei à casa de Verônica com os pés doendo e já tinha atrasado duas horas e dez minutos.
Almocei com Verônica a comida que meu noivo mais gosta. Não liguei para ele, aquele bastardo idiota. Deixei Verônica e fui à aula de violão em casa de Carlos.
Meu noivo que tem uma bochecha lisa e vermelha não havia me ligado até quando cheguei à casa do Cascão para as combinações sobre o piquenique em Vila Nova.
O Bastardo me ligou após a vinda de Ana Luzia à minha chácara. Ao aparelho me falou besteiras em chinês, alemão e russo.
Não falei muito, a mágoa ainda na garganta e o bastardo repetindo coisas. Ele não quis contar as notícias de Sapetão o bairro vizinho, onde ele tinha passado à tarde. Meu noivo tem umas manias que me enlouquecem. Essa de não contar quando eu pergunto interessada sobre os bairros próximos é uma.
Ele saiu de Sapetão as três para as nove. Sei exatamente a hora porque o bastardo enviou-me uma mensagem.
As estradas para o Centro novo não são as melhores. Chovia muito quando meu noivo saiu. Ele dirige mal quando garoa, imagine quando chove forte. Meu noivo perdeu o controle do veículo na estrada dos Farofeiros e caiu na ribanceira quatro nove da virada leste. O bastardo morreu com os sapatos novos de veludo polido.
Walk Away number 6
Débora Corn
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